
Um dos nomes mais importantes da literatura brasileira, Mário Raul de Morais Andrade ocupou o centro da vida intelectual do país durante o Movimento Modernista, exercendo enorme influência sobre sua geração e as seguintes. Nascido em meios aristocráticos, Mário de Andrade formou-se em Música pelo Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Em 1917, sob o pseudônimo de Mário Sobral, estreou como poeta com a obra Há uma Gota de Sangue em Cada Poema. Inspirado na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), esse livro revelou a rebeldia característica de toda a sua obra. Alcançou notoriedade quando leu, no evento que abriu a Semana de Arte Moderna, o Prefácio Interessantíssimo, da obra poética Paulicéia Desvairada (1922), que fixou as diretrizes estéticas do modernismo, como o uso do verso livre e a valorização da fala brasileira, provocando grande polêmica e projetando Mário como um dos líderes da vanguarda. Foi inclusive nesse livro que Mário descobriu seu tema predileto: São Paulo. Alguns anos mais tarde, em Lira Paulistana (1946), após passar pelo tema da guerra (Losango Cáqui, 1926) e pelo primitivismo em moda (Clã de Jabuti, 1927), o poeta retornou à cidade que tanto amou. Escreveu também Macunaíma (1928), um misto de história, rapsódia e romance. No livro, aproveitando a máxima liberdade das lendas e tradições do folclore brasileiro, Andrade delineou as diversas facetas do brasileiro, tanto sua esperteza como indolência, criando a saga de um verdadeiro anti-herói e compondo uma imagem da unidade nacional. Andrade também dirigiu o Departamento Municipal de Cultura de São Paulo (1934-1937); colaborou com a imprensa, escrevendo para revistas como Klaxon; cooperou com o Instituto Nacional do Livro no anteprojeto da futura Enciclopédia Brasileira e foi nomeado funcionário do serviço do Patrimônio Histórico (1940). Percorreu ainda o país em busca de lendas indígenas e folclore nordestino e escreveu vários livros como crítico, teórico, musicólogo e ensaísta.

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